para Ketheleen entre abelhas
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uma prosa para você

Tem um filme chamado Entre Abelhas em que, aos poucos, o personagem principal (Fábio Porchat) começa a deixar de enxergar, ver e ouvir as pessoas.

Elas continuam ali. O mundo continua acontecendo. Mas, para ele, tudo vai ficando cada vez mais vazio.

Durante muito tempo, acho que foi assim que eu me senti.

Eu estava cercado de pessoas, de dias, de possibilidades… mas não conseguia realmente enxergar nada disso. A vida acontecia diante de mim e, de alguma forma, eu apenas existia dentro dela.

Então você não desistiu de mim.

E talvez você nunca tenha percebido o tamanho da diferença que fez.

Você não chegou prometendo me salvar. Não resolveu todos os meus problemas e nem tinha obrigação de fazer isso. Você simplesmente esteve ali. Conversou comigo, me fez rir, compartilhou momentos, trouxe carinho para dias em que eu já tinha me acostumado com o vazio.

E, devagar, as pessoas começaram a aparecer novamente.

As coisas começaram a ter graça novamente.

Eu comecei a fazer planos novamente.

Comecei a querer cuidar de mim, viver experiências, sentir saudade, gostar, amar, sofrer, tentar… viver.

E independentemente dos caminhos que a vida ainda colocar diante de nós, uma parte de mim sempre será grata por ter encontrado você entre tantas pessoas.

Ou, como ficaria legal nessa metáfora do filme

entre tantas abelhas.